A viagem começou da forma mais turística possível. Olhando para o lado errado ao atravessar a rua e quase sendo atropelado por um Uno Mille. Aviso aos distraídos: a Júlio de Castilhos, que leva do Mercado Público de Porto Alegre até a entrada do Trensurb, não é tarefa fácil longe da faixa de pedestres.
Já nos subterrâneos da capital gaúcha, a primeira surpresa. Uma exposição fotográfica assinada por Renata Massetti. Trata-se de uma série de retratos do mesmo cara, com vários cortes de cabelo diferentes, começando como Capitão Caverna e terminando como o Kojak (ou o Dr. Evil, ou Esperidião Amin, se preferir). Não anotei o nome do trabalho, mas dá para ver mais coisa aqui.
A viagem de trem foi tediosa. As pessoas se distraem com qualquer coisa. Música e alguns livros, principalmente. Sempre tem um poema nas paredes. O dessa viagem era o seguinte:
SENTIMENTAL – Joviano Bertoldo Quatrin
Eu queria ter um coração feito de pedra.
Mas até rochedos na beira das estradas choram.
A viagem até Sapucaia do Sul, a Cidade que é Fera ali do título, levou 35 minutos. Um período bem razoável. A definição foi retirada de um outdoor em praça próxima da estação do Trensurb.
Certamente, uma referência ao zoológico da cidade.
O caminho natural foi evitar qualquer ponto turístico óbvio (você descobre quais são, e todo o resto, aqui). O deslocamento aleatório encaminhou até a Vila Vargas, um pedacinho do Rio de Janeiro encravado na região metropolitana de Porto Alegre.
Ali, na pitoresca Rua Igrejinha, a primeira pausa. Recomenda-se fortemente a Lancheria Vitória, em frente a um campo de futebol de várzea. As fichas de fliperama dão dois créditos cada nas
máquinas. A principal atração é Street Fighter Alpha 2. Eventualmente, você pode ser desafiado por alguém com cheiro de cachaça, o que só aumenta o charme modesto do local.
Já sob céu cinzento e ameaça de chuva, o que estraga a diversão até de um turista B, partiu-se para o caminho de retorno. Antes do trem, uma pausa para refeição. Nega-maluca e um X-Carne (atenção para a receita do doce).
Cercado por diversas opções gastronômicas, sentindo a
aroma de churrasquinho, crepe e torradas, só pode-se reclamar do discurso político logo adiante. Pouco empolgado, algo melancólico e um pouco repetitivo. Nada que possa apagar as belas impressões deixadas por Sapucaia do Sul, afinal, todo mundo sabe, a culpa sempre é dos políticos.
Na volta, uma surpresa. A moda urbana local ainda está há anos-luz do que se faz nos Estados Unidos com as roupas de baixo. Em se tratando das próprias cuecas, os americanos são muito mais ousados. Tanto que isso já virou crime em alguns locais.
Para todas as fotos dessa aventura visite o nosso flickr.



Muito bom o blog, não sabia que uma viagem para Sapucaia poderia render tanto assunto, parabéns!!!
Olá! Sou a Fotógrafa Renata Massetti, da exposição de fotos com o mesmo cara com vários cabelos diferentes. O nome da expo é Identificatoriamente e vai para o metrô de São Paulo. Aguardem.